Registrar o que entra é tão importante quanto registrar o que sai, e é a parte que quase todo mundo pula. Sem as entradas lançadas, o aplicativo mostra uma lista de gastos sem referência, e a pergunta mais útil de todas, "sobrou ou faltou?", fica sem resposta. Pelo WhatsApp isso é uma mensagem: "recebi 3200 de salário" ou "caiu 450 do freela".
Por que só registrar gasto não basta
Um controle que só tem despesa produz um número solto. Gastei R$ 3.100 é muito ou pouco? Depende do que entrou, e sem esse dado a conta não fecha.
Tem também um efeito psicológico ruim: uma tela cheia de saídas e nenhuma entrada dá a impressão de que só sai dinheiro, o que desanima. Com as entradas registradas, o mês vira um saldo, com dois lados.
E existe a parte prática: o saldo disponível, que é o número que importa na hora de decidir uma compra, depende de saber o que entrou e o que ainda vai entrar. É a base do que aparece quando você pergunta o saldo.
Como registrar cada tipo de entrada
Escreva do jeito natural, e diga o que é:
- Salário: "recebi 3200 de salário".
- Freela ou bico: "caiu 450 do freela do site".
- Venda: "vendi a bicicleta por 600".
- Devolução: "o João me devolveu 120".
- Rendimento ou benefício: "entrou 90 de rendimento".
A distinção importa mais do que parece. Devolução de empréstimo não é receita nova: é dinheiro seu voltando. Se ela entrar como receita, o mês aparece melhor do que foi, e a decisão que você toma em cima disso fica errada.
Salário que cai todo mês pode ser recorrente
Se o valor é fixo e a data é previsível, cadastre como entrada recorrente. Ele passa a aparecer sozinho todo mês, e você só ajusta quando houver diferença, como no mês do reajuste ou quando entra hora extra.
Isso ajuda principalmente na previsão: o aplicativo consegue mostrar como o mês vai fechar antes de ele acabar, porque conhece as duas pontas, o que entra e o que já está comprometido.
Quem recebe em duas parcelas, adiantamento e o restante, registra as duas. Cada uma no dia em que cai.
Renda variável exige mais atenção
Quem trabalha por conta não tem um dia certo nem um valor certo, e é justamente quem mais precisa registrar cada entrada.
Duas razões. A primeira: sem registro, não existe média confiável, e sem média não dá pra planejar o mês nem saber quanto guardar nos meses bons. A segunda, pra quem é MEI: o total do ano define se você está perto do limite de faturamento, assunto de limite de faturamento do MEI.
Uma boa prática é registrar no momento do recebimento e já separar as fatias devidas: imposto, custo do serviço e reserva. O método está em como separar o dinheiro do imposto sendo MEI.
O que fazer com o dinheiro extra
Dinheiro que entra fora do previsto tem um destino padrão: desaparecer. Ele chega, se mistura ao saldo e vira consumo sem decisão.
Registrar é o primeiro passo pra mudar isso, porque transforma "entrou um dinheiro" em um valor definido. O segundo passo é decidir na hora:
- Parte pra reserva. Mesmo que seja metade.
- Parte pra dívida cara, se houver alguma correndo.
- Parte pra viver. Nenhum plano sobrevive se todo extra virar obrigação.
Sem essa divisão feita na entrada, a decisão acontece por omissão, e a omissão sempre escolhe o consumo.
O dia em que o dinheiro entra é o melhor dia do mês
Não pela alegria de receber, e sim porque é o único momento em que você tem o mês inteiro pela frente e todo o dinheiro na mão. Toda decisão tomada nesse dia vale mais do que a mesma decisão tomada no dia 20.
É nele que as contas fixas devem ser separadas, que a reserva sai antes de virar sobra e que a fatia do imposto é reservada, no caso de quem trabalha por conta.
Registrar a entrada é o gatilho desse ritual. Quando você lança "recebi 3200 de salário", a pergunta seguinte aparece sozinha: quanto disso já tem dono? E é essa pergunta, feita no dia 5, que evita o aperto do dia 28.
Registre a próxima entrada
Se você já registra gastos e nunca registrou uma receita, faça isso no próximo pagamento que cair. É a peça que faltava pro seu controle responder se o mês fechou no azul.
O Cuide da Grana está em cuidedagrana.com. O plano Pessoal custa R$ 24,90 por mês ou R$ 197,90 por ano e acompanha entradas, gastos, cartões e metas da casa. O plano Trabalho custa R$ 39,90 por mês ou R$ 297,00 por ano e é feito pra quem tem renda variável do serviço, com faturamento do ano, imposto do mês, quem te deve e nota fiscal. Comprando pelo site, você tem 7 dias de arrependimento garantidos por lei.
Perguntas frequentes
Preciso registrar o salário se ele cai sempre igual?
Sim, e vale cadastrar como entrada recorrente pra não repetir o trabalho. Sem a entrada lançada, o aplicativo não consegue calcular quanto sobrou nem mostrar se o mês fechou positivo ou negativo.
Como registrar 13º, férias e bônus?
Registre como entrada extra, com uma descrição que identifique. Vale tratar esse dinheiro separado do salário no planejamento, porque ele tem destino específico, seja quitar dívida, formar reserva ou cobrir as contas de começo de ano.
Dinheiro que me devolveram conta como receita?
Não. É a volta de um valor que já era seu e deve ser registrado como devolução ou baixa do empréstimo. Lançar como receita infla o total que entrou e distorce a média que você usa pra planejar.
E o dinheiro que recebo em espécie?
Registre igual, informando que foi em dinheiro. Entrada em espécie é a que mais some do controle, justamente por não deixar rastro em extrato, e depois vira gasto sem origem no seu fechamento do mês.